terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Minha Descoberta da América - Vladimir Maiakóvski

Esse breve comentário foi publicado no meu facebook no dia 31 de dezembro de 2016. Foi a minha última leitura de 2016. Resolvi fazer algumas breves considerações sobre o livro.

(Foto: Leandro Santos/Arquivo Pessoa Facebook)

Excelente obra de Vladímir Maiakovski. Um relato de viagem a partir de uma escrita repleta de poesia, sátiras e de detalhes, principalmente para quem quiser conhecer um pouco mais das políticas econômicas estadunidenses antes da crise de 1929 e sobre o "American way of life" pelos olhares de quem estava vivendo a NEP Soviética.

Um trecho logo do início que me fez dar boas gargalhadas. Este fato aconteceu quando Maiakóvski desembarcou em Cuba e por lá ficou durante 24 horas antes de ir para o México:
"[...] Na praça, um mendigo me abordou. Não pude entender imediatamente que ele pedia ajuda. O mendigo ficou surpreso:
 - Do you speak English? Parlata espanhola? Parlez-vous français?
Fiquei calado e apenas no fim disse macarronicamente, para me safar: "I am rrãchã!".
Essa foi a atitude mais precipitada. O mendigo apertou minha mão entre as suas e pôs-se a vociferar: 
- Viva o bolchevique! I am bolchevique! Viva, viva!
Esquivei-me sob olhares transtornados e temerosos dos transeuntes."

Recomendo a obra. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Os Vagabundos - Máximo Gorki

Escrevi esse texto no meu facebook no dia 19 de dezembro de 2016. Foi uma breve resenha de um livro que ganhei da minha amiga Roberta. Excelente obra de Máximo Gorki. Reproduzo a breve resenha a seguir:

(Foto: Leandro Santos/Arquivo Pessoa Facebook)


Os Vagabundos de Máximo Gorki é uma obra que reúne três narrativas: Malva, Tchelkache e Konovalov. É um trabalho menos romântico e poético do que "A Mãe" (outro livro magnífico de Gorki), porém as narrativas são mais intensas, satíricas e mais próximas de uma identificação com o cotidiano do que acontece, por exemplo, com "A Mãe" que, apesar de lindo, considero mais distante.

Os Vagabundos dá mais essa sensação de proximidade, afinal, as personagens de Gorki são pescadores, operários, camponeses, prostitutas, ladrões, soldados, alcoólatras, envoltas em um monte de relações amorosas, desilusões com a vida, revoltas com o trabalho, com a sociedade e por aí em diante.

Das 3 historias a que mais me tocou foi a última. Konovalov é de uma beleza sem tamanho. O próprio Gorki me parece ser narrador e personagem (o amigo de Konovalov se chama Máximo). Konovalov comete suicídio na prisão atestado pelos médicos como o motivo sendo um acesso de melancolia. Então, Gorki assume a missão de não deixar Konovalov no esquecimento. Remonta a sua história. Os diálogos são simples, mas repletos de questões que nos fazem refletir sobre a vida, a sociedade, o futuro, os sentimentos. É de uma poesia e uma filosofia linda, delicada, que sutilmente invade o pensamento. Não dá vontade de parar de ler. Magnífico.

A seguir destaco um entre os muitos trechos que amei:
"- Como isso é extraordinário, meu Deus! - disse a meia voz. - Um homem escreve um livro... Quem escreveu isto já morreu?
- Sim, morreu - repliquei com secura.
Naquela época aborrecia a filosofia e ainda mais a metafísica; Konovalov, porém, sem se importar com os meus gostos, prosseguiu:
- Morreu, mas o livro ficou. Um mundo de ideias se destaca dele. Escuta-se e compreende-se. Existiam no mundo Pila, Cissoiko, Aprouska... Compadece-te destas personagens, e ainda que nunca as tenhas visto não deixam por isto de interessar menos. Na rua há muitas pessoas semelhantes, mas não as conheces; passam, nem te olham, nem reparam... e contudo não existem as do livro... Todavia compadeces-te até sofrer com elas... Como se explica isto? Morreu o autor disto tudo. Por que não se há de recompensá-lo?"
GORKI, M. Os Vagabundos. Konovalov. P. 109.