sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Resident Evil 7 - Gameplay

ATENÇÃO: CONTÉM PEQUENOS SPOILERS 



Terminei de assistir a série de gameplay de Resident Evil 7. Achei uma boa reoxigenada para a série. Pra mim o último grande RE foi o RE 3: Nemesis (rejoguei recentemente). Joguei um pouco do 4 e não gostei. O 5 e 6 foram totalmente apagados. E o 7 deu essa reoxigenada. 

Não me deu muito medo e fiz o máximo pra conseguir a maior imersão possível: bons fones de ouvido, assistindo de madrugada, com o maior silêncio possível, luzes todas apagadas. Mas sei que existe diferença entre assistir e jogar. Com certeza jogando a imersão é bem maior.

A mudança de visão para primeira pessoa também foi uma parada bem foda. Ficou estilão Outlast. Bem diferente daquela visão em terceira pessoa e aquela câmera estática, um clássico da série.

Gostei dos Easter Eggs e das referências. Tem uma bem foda que aparece em um jornal, se não me engano. A nota diz que 16 anos depois, moradores de Raccoon City ainda sofrem as consequências daqueles acontecimentos. Uma referência ao RE 3, jogo de 1999.

Muita coisa do sistema original foi mantida: as Safe Houses, as mochilas com espaço limitado para carregar itens, os baús de estoque, o sistema de combinar itens, as ervas de cura. Só achei zuado o sistema de criação de munições. No RE3 vc usava uma máquina de prensa de cartucho com pólvora, no RE7 você usa um composto químico com pólvora. Eu achava mais fodão o primeiro sistema.

O sistema de Puzzles também se manteve, embora eu tenha achado que deu uma caída na dificuldade. Por exemplo, aquele puzzle da fabricação da vacina no RE 3 é coisa do demônio. A primeira vez que joguei eu demorei horas pra resolver aquela porra.

(SPOILER) Achei o final muito foda quando o Chris Redfield aparece para resgatar o Ethan Winters. Foi uma nostalgia do caralho. E a cena dos helicópteros indo embora do local lembrou muito o final de RE3 quando eles explodem Raccoon City.

Quase esqueci de comentar. Não consegui entender a atuação da Umbrella Corporation nessa edição. Sei que no final, quando surgem os helicópteros e o Chris resgata o Ethan, aparece o símbolo da Umbrella nos helicóptero (com o guarda chuva azul, outra coisa que achei zuado, o histórico símbolo da Umbrella é vermelho). Mas não peguei qual foi a participação dela, isso é, se teve, na criação da Eveline. Vale lembrar que a Umbrella é uma empresa farmacêutica que produz armas biológicas e ela foi a principal responsável por toda a desgraceira em toda a série. Quando eu assistir de novo (ou jogar) vou prestar mais atenção pra tentar entender;

Enfim, jogaço. Da antiga geração eu ainda fico com o RE3. Esse daí é o meu xodó, meu jogo favorito. Dá nova geração, sem dúvidas é o RE7. Veio muito bem. Espero um dia ter dinheiro suficiente para conseguir jogá-lo. Sabemos que o mercado de games sempre foi muito inacessível pra quem é pobre, mas hoje parece estar mais difícil do que nos anos 2000 e pouco.

PS: Essa é a visão do final quando o Ethan escolhe salva a Mia Winters. Ainda não sei o que acontece no final alternativo quando o Ethan escolher salvar a Zoe Baker.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Stokely Carmichael: O Poder Negro. Amauri Mendes Pereira (ORG.)

O Poder Negro é um texto apresentado por Stokely Carmichael no Congresso Dialética da Liberdade, realizado pelo Instituto de Estudos Fenomenológicos, em Londres no ano de 1967. Carmichael foi um importante militante negro dos Estados Unidos. Atuou ao lado do Dr. Martin Luther King Jr e participou de inúmeros protestos do Partido dos Panteras Negras juntamente com Huey Newton e Bobby Seale.

(Foto: Leandro Santos/Arquivo Pessoal Facebook)

Ganhei o livro do professor Amauri Mendes Pereira durante uma reunião para articular atividades do Movimento Negro no Rio de Janeiro. Reunião esta que foi realizada no Instituto de Pesquisa das Culturas Negras (IPCN). O professor assumiu a tarefa de atualizar o texto, mantendo sua relevância para as discussões atuais sobre as questões raciais. O resultado foi esse importante livro.

O texto de Carmichael é uma grande aula sobre as questões raciais não só nos EUA, mas como em todo o mundo, principalmente nas Américas. Dentre as inúmeras questões apresentadas, Carmichael aborda a noção de racismo individual e racismo institucional, integridade cultural versus imposição cultural e a luta contra o capitalismo.

Poder Negro é um material de grande importância e qualidade para compor as rodas de discussão dos movimentos negros e movimentos sociais, salas de aulas de escolas e universidades e núcleos de estudos negros. Uma obra singular e necessária para os tempos de luta. 









terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Minha Descoberta da América - Vladimir Maiakóvski

Esse breve comentário foi publicado no meu facebook no dia 31 de dezembro de 2016. Foi a minha última leitura de 2016. Resolvi fazer algumas breves considerações sobre o livro.

(Foto: Leandro Santos/Arquivo Pessoa Facebook)

Excelente obra de Vladímir Maiakovski. Um relato de viagem a partir de uma escrita repleta de poesia, sátiras e de detalhes, principalmente para quem quiser conhecer um pouco mais das políticas econômicas estadunidenses antes da crise de 1929 e sobre o "American way of life" pelos olhares de quem estava vivendo a NEP Soviética.

Um trecho logo do início que me fez dar boas gargalhadas. Este fato aconteceu quando Maiakóvski desembarcou em Cuba e por lá ficou durante 24 horas antes de ir para o México:
"[...] Na praça, um mendigo me abordou. Não pude entender imediatamente que ele pedia ajuda. O mendigo ficou surpreso:
 - Do you speak English? Parlata espanhola? Parlez-vous français?
Fiquei calado e apenas no fim disse macarronicamente, para me safar: "I am rrãchã!".
Essa foi a atitude mais precipitada. O mendigo apertou minha mão entre as suas e pôs-se a vociferar: 
- Viva o bolchevique! I am bolchevique! Viva, viva!
Esquivei-me sob olhares transtornados e temerosos dos transeuntes."

Recomendo a obra. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Os Vagabundos - Máximo Gorki

Escrevi esse texto no meu facebook no dia 19 de dezembro de 2016. Foi uma breve resenha de um livro que ganhei da minha amiga Roberta. Excelente obra de Máximo Gorki. Reproduzo a breve resenha a seguir:

(Foto: Leandro Santos/Arquivo Pessoa Facebook)


Os Vagabundos de Máximo Gorki é uma obra que reúne três narrativas: Malva, Tchelkache e Konovalov. É um trabalho menos romântico e poético do que "A Mãe" (outro livro magnífico de Gorki), porém as narrativas são mais intensas, satíricas e mais próximas de uma identificação com o cotidiano do que acontece, por exemplo, com "A Mãe" que, apesar de lindo, considero mais distante.

Os Vagabundos dá mais essa sensação de proximidade, afinal, as personagens de Gorki são pescadores, operários, camponeses, prostitutas, ladrões, soldados, alcoólatras, envoltas em um monte de relações amorosas, desilusões com a vida, revoltas com o trabalho, com a sociedade e por aí em diante.

Das 3 historias a que mais me tocou foi a última. Konovalov é de uma beleza sem tamanho. O próprio Gorki me parece ser narrador e personagem (o amigo de Konovalov se chama Máximo). Konovalov comete suicídio na prisão atestado pelos médicos como o motivo sendo um acesso de melancolia. Então, Gorki assume a missão de não deixar Konovalov no esquecimento. Remonta a sua história. Os diálogos são simples, mas repletos de questões que nos fazem refletir sobre a vida, a sociedade, o futuro, os sentimentos. É de uma poesia e uma filosofia linda, delicada, que sutilmente invade o pensamento. Não dá vontade de parar de ler. Magnífico.

A seguir destaco um entre os muitos trechos que amei:
"- Como isso é extraordinário, meu Deus! - disse a meia voz. - Um homem escreve um livro... Quem escreveu isto já morreu?
- Sim, morreu - repliquei com secura.
Naquela época aborrecia a filosofia e ainda mais a metafísica; Konovalov, porém, sem se importar com os meus gostos, prosseguiu:
- Morreu, mas o livro ficou. Um mundo de ideias se destaca dele. Escuta-se e compreende-se. Existiam no mundo Pila, Cissoiko, Aprouska... Compadece-te destas personagens, e ainda que nunca as tenhas visto não deixam por isto de interessar menos. Na rua há muitas pessoas semelhantes, mas não as conheces; passam, nem te olham, nem reparam... e contudo não existem as do livro... Todavia compadeces-te até sofrer com elas... Como se explica isto? Morreu o autor disto tudo. Por que não se há de recompensá-lo?"
GORKI, M. Os Vagabundos. Konovalov. P. 109.